EncontrADA: Entrelaçamentos fortalece redes e amplia a circulação de saberes na Serrinha do Alambari
24 Agosto - 2026
Durante quatro dias, a oitava edição reuniu 20 atividades e 40 horas de programação, conectando práticas de cuidado, autonomia, arte e debates sobre masculinidades a diferentes espaços da Serrinha do Alambari.
Entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, a Silo – Arte e Latitude Rural realizou a oitava edição da EncontrADA 2026: Entrelaçamentos, na APA Serrinha do Alambari (RJ), na Serra da Mantiqueira. A programação foi gratuita e reuniu oficinas e atividades abertas à comunidade, dentre elas uma conversa sobre masculinidades baseadas no cuidado para o público masculino e outra sobre os desafios atuais da educação de meninos, com educadoras e educadores. A programação também circulou pela Escola Municipal Moacir Coelho da Silveira, pelo Centro de Atendimento ao Turista (Secretaria de Turismo de Resende) e pelo Pé de Grumixama Bistrô, afinal, como sabemos, o território é parte ativa da construção do encontro.
Ao longo dos quatro dias, 16 oficineiras, facilitadoras, artistas e grupos convidados participaram da programação, que recebeu 470 pessoas. Foram 20 atividades distintas e 40 horas de programação, entre oficinas, práticas corporais, ações educativas, atividades infantis e três noites de programação cultural. Esta edição da EncontrADA, nossa assembleia feminista, reuniu mais uma vez pessoas de diferentes gerações, territórios e áreas de atuação para celebrar a vida e refletir sobre o momento em que vivemos.

Há 9 anos a Silo promove encontros entre conhecimentos produzidos em contextos distintos e trabalha a partir da horizontalidade dos saberes, da equidade, da diversidade e da aproximação entre campo e cidade. Na EncontrADA, isso apareceu de maneira concreta quando práticas ancestrais, saúde, arte, educação, cultura popular e debates feministas dividiram a mesma programação aberta à comunidade.
Quatro dias, diferentes formas de entrelaçar
A programação da oitava edição partiu do conceito Entrelaçamentos, uma proposta de fortalecer conexões entre diferentes feminismos, movimentos sociais, territórios, saberes ancestrais, práticas comunitárias, arte, tecnologia e justiça socioambiental. A edição foi pensada como uma assembleia feminista de inteligência coletiva, orientada à produção de visões de futuro e estratégias compartilhadas.
30 de julho | Saberes, criação e território
O primeiro dia aproximou práticas transmitidas entre gerações, criação artística, audiovisual e educação. Helena Sá Motta iniciou a programação com Fitoterapia Caseira: Plantas de Cá, oficina de remédios caseiros, enquanto Gisele Ferreira conduziu Terra Crua, Corpo Nu, experiência de criação de esculturas com argila. À tarde, Arasy Benítez e Maryah Monteiro trabalharam as relações entre corpo, câmera e movimento em Sempre Mais Que Um: Corpo-Câmera e Movimento.
A EncontrADA também chegou à Escola Municipal Moacir Coelho da Silveira, onde Nuala conduziu a oficina de Capoeira Angola com alunos do 6º e 7º ano. À noite, o Cineclube Feminista Vídeos Táticos, realizado por Tatiana Wells e Giseli Vasconcelos, abriu a programação cultural no Galpão da Silo, trazendo a história da origem da EncontrADA em 2012, a partir da conexão com diferentes movimentos políticos e feministas da época.
31 de julho | Diferentes formas de produzir conhecimento
Na sexta-feira (31), saúde, saberes tradicionais, educação e expressão corporal ocuparam simultaneamente diferentes espaços da EncontrADA. O Galpão da Silo recebeu Afinal, o que é Acessibilidade?, conduzida por Virgínia Maria Barcellos, e Introdução à Ballroom e Práticas Pedagógicas, com Lua Brainer. Helena Sá Motta deu continuidade à Fitoterapia Caseira, iniciada no dia anterior.
Diferentes abordagens dividiram as atividades realizadas no Centro de Atendimento ao Turista da Serrinha do Alambari (CAT). Camila Bogéa conduziu Construindo Saídas: Psicanálise, Autonomia e Política do Cuidado em Tempos de Violência. Já a Dra. Fátima Oladejo, ginecologista e obstetra, conduziu Ginecologia Natural, abordando as transformações do corpo da menarca ao climatério. A programação também alcançou a Escola Municipal Moacir Coelho da Silveira. Educadoras e educadores participaram do workshop Desafios de Educar Meninos Hoje, enquanto alunos do 8º e 9º ano receberam uma nova oficina de Capoeira Angola com Nuala.
À noite, a EncontrADA continuou no Pé de Grumixama Bistrô. O Show de Prêmios abriu a programação, e o Toque de Dandara, grupo de samba formado por mulheres da região, conduziu a roda de samba, reunindo música e protagonismo feminino na cultura popular. A programação foi gratuita e aberta ao público.

1º de agosto | Corpo e cuidado
O sábado colocou em relação tecnologias ancestrais e práticas corporais. Na quadra da Escola Municipal, Nanda Rocha conduziu Yoga Kemética: Tecnologia Ancestral Africana para regulação emocional e mental. Na Silo, Dora Selva realizou Viva Pelve, com práticas de escuta corporal.
Foi também no sábado (1) que as Confabulações começaram a trabalhar diretamente a pergunta que orientou um dos principais eixos desta edição: como o feminismo nomeia, interpela e transforma os modelos de masculinidade que quer ver no mundo? Lideranças de organizações, coletivos e movimentos de diferentes regiões do país compartilharam experiências e repertórios sobre educação, cuidado, comunicação, prevenção das violências e transformação das relações de gênero.
As Confabulações foram construídas em três movimentos. No sábado pela manhã, o grupo partiu de manchetes, notícias, discursos e ideias que circulam no senso comum para identificar os sistemas que sustentam essas narrativas. À tarde, a discussão avançou para as visões de mundo, crenças e mitos que organizam o mundo como vivemos hoje.

À tarde, Rachel Nascimento conduziu Teatro das Oprimidas: Estéticas Feministas para Poéticas Políticas, articulando corpo, partilha e criação coletiva. Uma nova sessão de Construindo Saídas retomou a psicanálise e a política do cuidado dentro da programação do CAT.
À noite, canto, tambores, dança e roda ocuparam os jardins da Silo com o Jongo do Quilombo São José da Serra, de Valença (RJ). A apresentação encerrou a programação cultural da edição com uma prática afro-brasileira sustentada pela memória, pela transmissão entre gerações e pela organização coletiva do Quilombo.
2 de agosto | O que permanece depois do encontro
O domingo retomou questões construídas ao longo dos dias anteriores. Nanda Rocha realizou uma nova prática de Yoga Kemética, desta vez no jardim da Silo. No Centro de Atendimento ao Turista, Leonardo Piamonte conduziu a roda Ser Homem Não Tá Fácil, dirigida aos homens da Serrinha. A atividade levou o eixo de masculinidades diretamente para a comunidade e criou um espaço de conversa sobre cuidado, responsabilidade e relações de gênero. Ao acontecer no CAT e ser dirigida a moradores do território, a discussão ganhou interlocutores diferentes daqueles reunidos na imersão feminista.

As Confabulações deram continuidade ao trabalho sobre masculinidades. No domingo, a etapa final voltou-se à imaginação de outros futuros, buscando novas referências e possibilidades de convivência capazes de orientar caminhos de transformação. A partir de novos mitos e outras possibilidades de convivência, o grupo começou a desenhar caminhos capazes de transformar as estruturas que conhecemos. Em seguida, os dois grupos — da roda Ser Homem Não Tá Fácil e das Confabulações — se reuniram para refletir juntos sobre o que conversaram e trabalharam naquele dia.
As contribuições produzidas durante a imersão orientam a elaboração de um manual de mensagens sobre masculinidades futuras centradas no cuidado, pensado para apoiar a comunicação de organizações feministas brasileiras.

A cozinha também foi lugar de encontro
À frente do cardápio dos quatro dias esteve o coletivo Mulheres em Ação, da Cozinha Solidária e Coletiva do CEM – Centro de Integração na Serra da Misericórdia, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Há mais de dez anos, o CEM articula agroecologia, educação popular e soberania alimentar no território da Serra da Misericórdia. O Mulheres em Ação integra esse trabalho a partir de uma cozinha que valoriza o aproveitamento integral dos alimentos, incorporando cascas, talos e outras partes dos ingredientes às receitas.
Foram cafés da manhã, almoços e jantares preparados diariamente, com ingredientes vindos majoritariamente de produtores locais.
Ao redor da mesa, participantes, gestoras, oficineiras e equipe se encontraram fora da programação, compartilharam histórias e continuaram conversas iniciadas nas oficinas e rodas. Uma programação de quatro dias também depende de quem cuida dos corpos que a sustentam. Por isso, a cozinha foi parte fundamental da EncontrADA.

Cuidar das infâncias também é criar condições para o encontro
Ao longo dos quatro dias, Cecília Bianco conduziu as oficinas infantis, criando um espaço de experimentação e convivência para as crianças. Sementes, pedras, flores, argila e outros elementos encontrados na natureza viraram materiais de criação. As crianças tiveram uma programação própria, com atividades como Alquimia das Cores, Impressões Botânicas, Contação de Histórias e Bombas de Semente. As propostas criaram espaços de experimentação, contato com a natureza e aprendizado, integrando as crianças à experiência da EncontrADA.
Essa programação também teve um papel prático e importante: permitir que mães participassem das oficinas, rodas e demais atividades com mais tranquilidade, sabendo que as crianças estavam acompanhadas e envolvidas em experiências pensadas para elas.

Entrelaçamentos para além dos quatro dias
Ao longo de quatro dias, a Serrinha do Alambari recebeu muitos encontros. Entre oficinas, rodas de conversa, práticas corporais, atividades com crianças, debates sobre masculinidades, Confabulações, refeições compartilhadas e programação cultural, pessoas de diferentes gerações, territórios e trajetórias ocuparam a Silo e outros espaços da comunidade.
A EncontrADA chegou à sua oitava edição em 2026. Desde 2012, cada encontro parte das questões de seu tempo para criar espaços de convivência, troca de conhecimentos e construção coletiva.
Saiba mais sobre as edições anteriores da EncontrADA clicando aqui.
