Encerramento do LabMARÉ – Arquitetura, Cultura e Clima ativa propostas para o território da Maré
29 Abril - 2026
Silo – Arte e Latitude Rural e Redes da Maré apresentam os projetos da terceira edição do LabMARÉ e lançam publicação em acesso aberto
A Silo – Arte e Latitude Rural, em parceria com a Redes da Maré, realizou, no dia 17 de abril, o seminário de encerramento da terceira edição do LabMARÉ – Laboratório de Arquitetura, Cultura e Clima. O encontro apresentou ao público os projetos desenvolvidos ao longo do processo formativo, iniciado em outubro de 2025, e marcou também o lançamento da publicação que reúne reflexões, metodologias e registros dessa trajetória.
Mesa de abertura do seminário de encerramento do LabMARÉ – Arquitetura, Cultura e Clima, com Cinthia Mendonça, Everton Pereira e Maurício Dutra.
A programação foi organizada em mesas de diálogo e compartilhamento de processos. A mesa de abertura contou com a participação de Cinthia Mendonça, Everton Pereira e Maurício Dutra, situando o laboratório no contexto urbano e político da Maré e destacando a importância de iniciativas que articulam conhecimento técnico e saberes do território. Ao longo do seminário, foram apresentados os caminhos percorridos, os desafios enfrentados e os aprendizados construídos coletivamente. O encerramento também marcou o lançamento de mais uma publicação do LabMARÉ disponível em acesso aqui. O livro documenta todo o processo realizado ao longo dos meses de trabalho: os oito projetos desenvolvidos, os textos de reflexão que acompanharam as imersões e um ensaio escrito por João Sousa e Silva e Rian de Queiroz, membros do eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais (DUSA) da Redes da Maré, que cruza a história de consolidação da Maré com os desafios urbanos atuais que atravessam o bairro.
LabMARÉ – Laboratório de Arquitetura, Cultura e Clima
A publicação abre com um texto de Cinthia Mendonça, diretora da Silo, que contextualiza o Lab dentro de um momento político: a chegada do PAC Periferia Viva e suas obras de infraestrutura urbana, e a pergunta que atravessa o ensaio inteiro: por que bairros periféricos acumulam os problemas básicos de arquitetura e urbanismo que a zona sul do Rio nunca enfrentou? O texto também apresenta a metodologia dos laboratórios colaborativos e defende a participação cidadã como condição para qualquer transformação real no território. A leitura completa está disponível na Biblioteca.
O material apresenta o percurso do laboratório a partir da perspectiva de quem vive a Maré: jovens, moradoras/es, estudantes e trabalhadoras/es que pensam o território a partir de suas próprias experiências. As propostas abordam temas como segurança, mobilidade, lazer e qualidade ambiental, propondo novas formas de ocupar e transformar praças e espaços públicos.
Publicação da terceira edição do LabMARÉ – Arquitetura, Cultura e Clima, disponível em acesso aberto.
Três edições, uma metodologia
Esta foi a terceira edição do LabMARÉ, iniciativa da Redes da Maré em parceria com a Silo – Arte e Latitude Rural. A primeira edição, realizada entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, foi dedicada a Lideranças e Práticas Comunitárias. A segunda, entre agosto e setembro de 2025, abordou Comunicação e Popularização da Ciência. O LabMARÉ foi o primeiro laboratório de experimentação e inovação realizado dentro de uma favela. A metodologia aplicada é desenvolvida pela Silo há mais de 15 anos em contexto ibero-americano, a partir de um modelo originado no MediaLab Prado de Madri em 2005 e adaptado por Cinthia Mendonça para a realidade latino-americana. Ela propõe um ambiente de aprendizagem horizontal, que supera a lógica hierárquica entre quem ensina e quem aprende, valorizando os saberes do território, a escuta ativa e a criação coletiva em espaço aberto.
Três princípios orientaram esta edição. O primeiro é a diversidade e horizontalidade: pessoas de diferentes idades, raças, gêneros, saberes e práticas atuaram juntas, sem hierarquia entre quem ensina e quem aprende. O segundo é a escuta ativa e a valorização do território: os saberes dos moradores foram tratados como conhecimento legítimo, tão relevante quanto qualquer dado técnico ou científico, e a rua foi o principal espaço de convívio e pesquisa. O terceiro é a autonomia e o bem comum: os grupos se autogeriam com apoio de mentores especializados, desenvolvendo soluções orientadas não pelo interesse individual, mas pela melhoria coletiva do bairro.
Na prática, isso se traduziu em seis imersões presenciais aos sábados, prototipagem in loco, sessões de mentoria por área temática e um fundo comunitário para apoio financeiro às equipes selecionadas. Tudo documentado e disponibilizado em acesso aberto ao final do processo.
Um modelo que se desdobra em outros territórios
A experiência do LabMARÉ revela o potencial dos laboratórios colaborativos como estratégia para enfrentar desafios urbanos a partir de processos participativos. A Silo atua com consultoria em planejamento, desenvolvimento e implementação de laboratórios, apoiando organizações e coletivos desde a concepção até a prototipagem de soluções.
Essa abordagem integra saberes populares e científicos, valoriza o protagonismo local e constrói ambientes de aprendizagem baseados na escuta, na colaboração e na experimentação. O que acontece quando diferentes pessoas passam a construir juntas as soluções para o território que habitam? Quais transformações são possíveis quando o conhecimento deixa de ser vertical e passa a ser compartilhado?
Organizações, coletivos e instituições interessadas em desenvolver laboratórios colaborativos podem entrar em contato pelo e-mail contato@silo.org.br.