Laboratório "A Força do Lugar e os Lugares de Força" reúne artistas e pesquisadoras/es entre a UFRJ e a sede da Silo

Entre os meses de junho e julho, a Silo – Arte e Latitude Rural e o Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAC/UFRJ) realizaram o laboratório A Força do Lugar e os Lugares de Força, voltado à investigação de práticas artísticas comunitárias e da criação em diálogo com a gestão do território, entendendo-o como espaço vivo de relações, disputas e imaginações.

O laboratório integra a pesquisa de pós-doutorado da artista e pesquisadora Cinthia Mendonça, desenvolvida no PPGAC/UFRJ sob supervisão da professora Eleonora Fabião. Fruto dessa pesquisa sobre práticas artísticas comunitárias, o laboratório propõe um método que trabalha convívio e contágio, abrindo espaço para o encontro entre pessoas de dentro e de fora da universidade, de diferentes áreas do conhecimento e trajetórias de vida.

Parte-se da ideia de que a potência da arte não reside apenas no resultado das obras, mas se constrói ao longo do processo por meio de negociações, encontros e tensões, mobilizando ferramentas estéticas, culturais, biológicas e políticas.

O território como espaço de aprendizagem

O percurso foi organizado em dois momentos complementares.

Nos três primeiros encontros, realizados na Escola de Comunicação da UFRJ, o grupo reuniu artistas e pesquisadoras/es de diferentes áreas do conhecimento, com e sem vínculos acadêmicos, interessados em refletir sobre práticas artísticas comunitárias. Ao longo das aulas, foram compartilhados textos, referências e experiências que atravessam arte contemporânea, política, educação, geografia, ciência, feminismo e gestão territorial, entendidos não como campos separados, mas como conhecimentos que se encontram na prática.

A segunda etapa aconteceu na sede da Silo – Arte e Latitude Rural, na Serrinha do Alambari (RJ), durante uma residência artística realizada ao longo de um fim de semana.

A residência artística

Na Silo, as discussões iniciadas na universidade ganharam novos contornos a partir da experiência no território.

Durante a residência artística na Silo, as pessoas participantes puderam vivenciar o cotidiano do território e compartilhar suas pesquisas por meio de atividades individuais e coletivas, dentro e fora da sede da Silo. Realizaram atividades individuais e coletivas, percorreram a comunidade, fizeram caminhadas e dedicaram tempo às conversas e à escuta. A experiência possibilitou colocar em prática conhecimentos construídos ao longo do laboratório, fazendo da convivência, da escuta e do fazer conjunto parte do próprio processo de pesquisa e criação.

Como resume Cinthia Mendonça:

Uma vez na Silo e na comunidade da Serrinha do Alambari, o grupo pode vivenciar na prática o conhecimento trazido pelas leituras e conversas da primeira parte do laboratório. O contato com a gestão territorial e a convivialidade é uma delas. As/es/os alunas/es/os puderam dedicar-se à escuta, às conversas e ao fazer juntas/es/os tarefas cotidianas, criando assim possibilidade de contagiar as pesquisas, umas com as outras.

A permanência na Silo e na comunidade da Serrinha do Alambari permitiu que o grupo vivenciasse, na prática, os conhecimentos trazidos pelas leituras e conversas da primeira etapa do laboratório. O contato com a gestão territorial e a convivialidade possibilitou que as pessoas participantes se dedicassem à escuta, às conversas e ao fazer conjunto de tarefas cotidianas, criando possibilidades de contagiar suas pesquisas umas com as outras. A permanência no território possibilitou visitas, caminhadas, diálogos e a vivência da Mata Atlântica e de suas intempéries de inverno.

Ampliação de repertórios e novas perspectivas

O encerramento do laboratório foi marcado pelo compartilhamento dos processos desenvolvidos ao longo das atividades. As pessoas participantes concluíram o percurso com avanços em suas pesquisas práticas e teóricas, ampliando repertórios conceituais e estéticos, conhecendo novas metodologias de investigação e desenvolvendo novas reflexões sobre suas ações em diferentes territórios.

O laboratório integra a programação da Silo Escola, iniciativa dedicada à formação, pesquisa e experimentação desenvolvida pela Silo – Arte e Latitude Rural. Novas edições estão previstas e serão divulgadas em breve.