Do território à cidade: dois encontros recentes da Silo

Mediação comunitária sobre distribuição energia elétrica na Serrinha e encerramento do LabMARÉ marcam encontros recentes da Silo

Nos primeiros meses de 2026, a Silo – Arte e Latitude Rural esteve envolvida em dois encontros que mobilizaram reflexões sobre território, participação social e produção de conhecimento. Em contextos distintos, as iniciativas evidenciam uma dimensão importante do trabalho da organização: promover espaços de diálogo entre comunidades, instituições e diferentes campos de saber.

A Silo cumpre um papel comunitário e de interesse público ao facilitar conversas entre a comunidade e diferentes instituições, contribuindo para a construção de processos de escuta, mediação e articulação em torno de temas que impactam diretamente os territórios.

Conversa comunitária sobre energia na Serrinha do Alambari

No dia 21 de janeiro de 2026, moradoras e moradores da Serrinha do Alambari, em Resende (RJ), se reuniram na quadra da Escola Municipal Moacir Coelho da Silveira para uma conversa sobre o fornecimento de energia elétrica na região. A reunião contou com a presença da CERESCOOP – Cooperativa de Eletrificação Rural, da Associação de Moradores da Serrinha do Alambari (AMOROSA), da AMAR – Agência do Meio Ambiente de Resende e de integrantes da comunidade local.

A Silo – Arte e Latitude Rural atuou como mediadora institucional do encontro, conduzido pela diretora Cinthia Mendonça. A mediação organizou as falas e promoveu um espaço de escuta entre comunidade e instituições para discutir desafios relacionados à distribuição de energia no território, como interrupções no fornecimento, variações de tensão, limitações da infraestrutura existente e condicionantes ambientais. A organização atua há anos facilitando diálogos e contribuindo para a transformação de conflitos por meio da escuta e da construção coletiva.

Ao longo do encontro, moradores e moradoras puderam apresentar suas preocupações e experiências cotidianas com as quedas de energia, enquanto a cooperativa explicou aspectos técnicos da rede, os limites operacionais do sistema e as perspectivas de investimento e ampliação da infraestrutura. Entre os encaminhamentos apontados na reunião estão a possibilidade de criação de uma Comissão Técnica de Energia Elétrica da Serrinha, a apresentação de cronogramas para ampliação da rede e estudos de viabilidade para a implantação de uma subestação na região.

Para a Silo, a mediação de encontros como esse reforça o compromisso da instituição com o território da Serrinha do Alambari e com a promoção de um diálogo equilibrado entre comunidade e instituições.

Cinthia Mendonça, diretora da Silo – Arte e Latitude Rural, conduz a abertura da conversa comunitária sobre energia elétrica na APA Serrinha do Alambari, ao lado de representantes institucionais e da comunidade local.

Seminário de encerramento do LabMARÉ – Comunicação e Popularização da Ciência

Em fevereiro, a Silo – Arte e Latitude Rural, em parceria com a Redes da Maré, realizou o seminário de encerramento da segunda edição do LabMARÉ – Laboratório de Comunicação e Popularização da Ciência. O encontro marcou a apresentação pública dos projetos desenvolvidos ao longo do processo formativo, iniciado em agosto de 2025, além do lançamento da publicação que reúne reflexões e registros dessa experiência.

A publicação abre com um texto da diretora da Silo, Cinthia Mendonça, e reúne informações sobre a percepção da ciência no Brasil e o processo do laboratório. Em seguida há uma sessão dedicada aos projetos realizados, textos de convidadas/os, como Gilberto Vieira e Rian de Queiroz, que analisam a produção de dados cidadãos em comunidades periféricas, especialmente em favelas. A publicação apresenta reflexões sobre os efeitos do LabMARÉ no território e a influência da produção cidadã de dados na ciência. A leitura completa está disponível em: Biblioteca Silo Arte

O evento marcou a apresentação dos projetos desenvolvidos ao longo do laboratório, reunindo reflexões metodológicas, registros do processo formativo e relatos das experiências desenvolvidas pelas equipes ao longo do programa.

A diretora da Silo, Cinthia Mendonça, participou das mesas do seminário, contribuindo com reflexões sobre metodologias colaborativas, mediação e processos de construção coletiva de conhecimento. A metodologia de laboratórios colaborativos, desenvolvida pela Silo ao longo de suas experiências com processos participativos e interdisciplinares, orientou o trabalho das equipes durante o LabMARÉ, estimulando a criação de narrativas que aproximam ciência, dados e vida cotidiana no território.

Da esquerda para direita: João Sousa e Silva, Gilberto Vieira, Samantha Reis, Cinthia Mendonça e Henrique Silveira.

O LabMARÉ integra um ciclo de laboratórios realizados no território da Maré voltados ao fortalecimento de práticas comunitárias e à produção de conhecimento situado. A primeira edição, realizada entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, teve como tema Lideranças e Práticas Comunitárias da Maré. Já a segunda edição, realizada entre agosto e setembro de 2025, teve como foco a Comunicação e Popularização da Ciência, incentivando a criação de projetos capazes de aproximar ciência, dados e cotidiano das comunidades.

A continuidade desse ciclo já está em andamento: em abril está previsto o seminário do terceiro laboratório, dando sequência ao processo de formação, experimentação e produção coletiva de conhecimento desenvolvido no território.

Mediação e metodologias

Embora realizados em contextos distintos, os dois encontros evidenciam a importância de metodologias capazes de organizar o diálogo entre diferentes atores sociais. A Silo – Arte e Latitude Rural atua nesse campo por meio de consultorias, assessorias metodológicas e mediações institucionais, contribuindo para a criação de espaços de escuta, articulação e construção coletiva entre comunidades, organizações e instituições.